segunda-feira, 6 de maio de 2013

Lembranças de passado presente, a beleza de uma criança.


Pode ver esse brilho do sol e a poeira levantando lentamente do chão? Consegue ver a rua vazia em meio à poeira diante dos seus olhos e ouvir o vento que você não sente? Você percebe o sol escaldante sobre sua pele e um frio acolhedor que envolve sua garganta.
Você sabe, tudo isso possui uma grande carga sentimental, então desvia o olhar para não se lembrar de quando éramos crianças. Você tenta, mas não consegue, e as memórias de quando éramos crianças começam a surgir… e lhe vem à memória a época em que brincávamos e corríamos inocentemente sem preocupações, e as lágrimas começam a correr.
Lembra-se dos amores de criança e das tardes que conversávamos debaixo daquela árvore? Eu sei que sim. Eu notei o seu olhar enquanto tentava escrever, um olhar diferente quando viu a luz do sol que entrava pela janela, iluminava o seu caderno e projetava a sombra da caneta… eu sei, isso fez lembrar-se das nossas cartas.
Tantas vezes vi você chorar e tantas vezes vi seus olhos brilharem apenas por uma singela borboleta a voar. Onde foi parar a nossa simplicidade?
Neste lugar tudo é tão nostálgico! Faz-me lembrar das tantas vezes em que brincávamos debaixo do sol, dos lugares que explorávamos só por diversão. Ainda me lembro daquele dia em que caminhávamos pela nossa pequena floresta, você tropeçou, eu tentei segurar, nos beijamos, e você chorou se sentindo culpada.
Lembranças ternas da simplicidade de uma criança.
Estou vendo que seus olhos estão olhando para longe, está contemplando além deste lugar, sei no que está pensando! Eu também estava lá.
Tudo era tão simples e inocente, não nos preocupávamos com a tecnologia e nem com o que acontecia fora do nosso mundinho de criança. Sentamos naquele chão sujo e juntos ficamos a olhar para o nada, conversando sobre qualquer coisa e atirando pedras para lugar nem um. Víamos a terra seca e avermelhada subir, e olhando para cima vimos uma escura nuvem de chuva e o vento soprava forte alvoroçando nossos cabelos. Deitávamo-nos sobre o chão e sorriamos. Era uma sensação boa, e ficamos olhando para o céu até a chuva cair, gostávamos daquele contraste e das aves a voar. Quando a chuva caiu, passamos a pular e dançar, levantando as mãos para o céu tentando tocar as nuvens enquanto as gotas de chuva lavavam nossos rostos e pulávamos em meio à lama, sorrindo, sem nos importar com nada, apenas um com o outro e querendo que aquele momento nunca terminasse.
Tempos incríveis aqueles. Lembra-se de que íamos visitar um ao outro, mesmo que eu morasse em frente à sua casa? Eu corria tentando pegar você, nos deitávamos no chão do quarto só para sentir o quanto estava frio, olhávamos para o teto e ficávamos imaginando mil e uma coisas. Inventávamos histórias e as vivíamos por toda uma tarde.
Gostávamos de pegar os CD’s dos nossos pais e ficávamos ouvindo e cantando enquanto conversávamos, brincávamos e brigávamos. Brigas que duravam no máximo 10 minutos, pois não aguentávamos viver longe um do outro.
Fomos juntos crescendo, nos separamos, nos reencontramos, e voltamos a conversar, dessa vez sobre o tempo que passou, a lembrar com grande saudade do tempo em que nossas vidas eram simples e comparando em como mudou. Agora inúmeros afazeres nos separam mesmo estando perto.
A tristeza que sinto é que com o amadurecimento que o tempo nos trouxe, ficamos mais imaturos que crianças, esquecemos de olhar para as pequenas coisas que tanto nos encantavam, perdemos o sorriso e a singeleza de uma criança e desaprendemos a perdoar. Um simples desentendimento nos separou, mas os tempos são outros e seu coração mudou. Já não sabe mais perdoar e não se importa mais com o sentimento dos outros, e nem mais com os seus. Ficou fria e amargurada e perdeu aquele brilho no olhar.
Você se lembra? Eu sei que consegue lembrar-se de tudo isso. Tire as mãos do rosto, eu vi suas lágrimas, como já vi várias outras vezes. O nosso tempo passa como em um relógio de areia, um relógio de areia quebrado. Não se esqueça de tudo que já passamos, por favor, eu ainda estou aqui esperando.
Eu somente lhe peço: volte a olhar com os olhos de uma criança e redescubra sua simplicidade, não vale a pena viver se não for assim. Lembre-se de como é viver como uma criança, sem rancores, sem malícia, sem maldade, apenas a simplicidade com que tudo se vê, o amor, a singeleza, a beleza, e dessa forma apreciar a vida.
Dã Iakob.

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